Academia Vianense de Letras

Órfão de mãe aos três anos de idade, o filho de Joana Pereira Gomes e Tomás de Oliveira Gomes, nascido no dia 9 de março de 1926, foi criado pelos avós e educado pela madrinha Nhazita (Josefa Dias), que lhe ensinou as primeiras letras. Em 1938, aos doze anos, depois de concluir o curso primário no Grupo Escolar Estêvão Carvalho, José Pereira Gomes foi levado pelo pai para continuar os estudos em São Luís, onde seria matriculado no Colégio Ateneu Teixeira Mendes, transferindo-se posteriormente para o Colégio Maristas.

Concluído o ginasial, fez o 1º e o 2º ano do curso científico no Colégio São Luís, do conceituado professor Luís Rego. Desse período, o futuro prefeito de Viana guardaria vivas e agradáveis lembranças: os estudos, os jogos de futebol com os colegas, as férias passadas em Viana, as festas, as inesquecíveis serenatas e os planos para o futuro. Em 1945, aos 19 anos, viajou para Fortaleza, matriculando-se no Colégio São João, onde concluiria o 2º grau e se prepararia para ingressar na carreira militar. Entretanto, por não lograr aprovação para o curso preparatório de cadetes, retornou ao Maranhão no final de 1946. Ao regressar, José Pereira Gomes foi contratado como postalista dos Correios e Telégrafos, esquecendo os estudos e entregando-se à vida despreocupada e alegre de todo jovem de sua idade.

Uma festa de casamento, realizada em Viana, iria mudar totalmente os rumos da vida acomodada, e  agora sem maiores pretensões, do funcionário público federal. O enlace matrimonial era de Carmem (filha do Dr. Ozimo de Carvalho) com José Pinheiro Gasparinho. Levado pela espontaneidade juvenil, José Pereira Gomes resolveu, no meio da recepção, brindar os noivos com um discurso de improviso. A oratória fluente do rapaz encantou os presentes e chamou a atenção, em especial, do Monsenhor Manoel Arouche. Ao ser informado de que aquele talentoso jovem interrompera os estudos, o célebre pároco da Matriz não pensou duas vezes: procurou  Tomás Gomes e o aconselhou a incentivar o filho a cursar a faculdade de Direito.

De volta a São Luís, o funcionário dos Correios surpreendeu-se com a visita repentina de seu genitor, que lhe trazia uma carta de estímulo do pároco vianense e o cartão de inscrição para o próximo vestibular. Em 1953, José Pereira Gomes bacharelava-se em Direito e, já no ano seguinte, prestava concurso para a Magistratura e para o Ministério Público. Aprovado em ambos, optou pelo último, por aspirar à carreira política, a qual seria incompatível com a Magistratura. A primeira nomeação, em 1955, foi  para a cidade de Mirador,  permanecendo ali apenas três meses, para logo se transferir para sua cidade natal.

Em Viana, como Promotor Público, iniciaria a caminhada que lhe conduziria ao cargo de chefe do executivo municipal, seis anos depois. A base de sua plataforma eleitoral era a criação de um curso ginasial, que iria preencher a maior carência da educação vianense da época. Seria uma árdua batalha que o dinâmico promotor enfrentaria sem desânimos. O mais difícil foi conseguir arrecadar, junto à comunidade local, a alta quantia de quarenta mil cruzeiros, valor da taxa exigida pela diretoria da antiga CNEG (Campanha Nacional de Educandários Gratuitos), sediada no Rio de Janeiro. Para tanto, José Pereira Gomes criou um livro de ouro com quarenta assinaturas, cada uma equivalente a mil cruzeiros. Não demorou muito para os maledicentes insinuarem que aquele valor seria usado, na verdade, para custear sua campanha política.

Eleito pelo extinto PSD (Partido Social Democrático), vencendo seus dois adversários, José Pereira Gomes tomou posse no dia 31 de janeiro de 1961, tornando-se o 37º prefeito de Viana. Exatos dois meses depois, em 31 de março, acontecia a aula inaugural do Ginásio Professor Antônio Lopes, instituição de ensino que se tornaria, ao longo das cinco últimas décadas, um marco na educação da juventude não somente de Viana, mas, inclusive, das cidades circunvizinhas.

Atualmente aposentado como Procurador de Justiça, Dr. José Pereira Gomes foi um dos membros fundadores da Academia Vianense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 7, patroneada pelo grande Antonio Bernardo da Encarnação e Silva.

Por Luiz Alexandre Raposo