Academia Vianense de Letras

O nome de batismo do oitavo filho do casal Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa foi uma homenagem de sua mãe ao amigo médico, Dr. Lourival Costa, que trabalhou na cidade por alguns anos. De poucos amigos, o menino cresceu entre a família, os livros e o olhar atento à vida da pequena cidade que fluía, lentamente, à sua volta.

Para um garoto nascido e criado numa Viana isolada das décadas de 1950/1960, o único elo de ligação com outros mundos, além da leitura, era ofertado pelo Cine Glória do Dr. José Pereira Gomes, que exibia filmes (a grande maioria em preto e branco) nem sempre permitidos para menores de 14 anos. Havia também o pequeno teatro da D. Anica Ramos que apresentava, vez por outra, peças, comédias e pastorais.

Aluno aplicado, Lourival concluiu o curso primário no Grupo Escolar Estevam Carvalho, em 1964, e o curso ginasial no Ginásio Professor Antônio Lopes, quatro anos depois. Ao deixar Viana, aos 17 anos, para continuar os estudos na capital, o adolescente já havia armazenado um mundo de lembranças, sensações e saberes próprios de seu lugar de origem, que não se apagariam facilmente ao longo do novo caminho a ser percorrido.

Entre tais lembranças, certamente havia lugar especial para as professoras e professores que tanto influiriam em sua vida futura. No meio de tantos nomes, destacavam-se D. Edith Nair Silva, Josefina Cordeiro, Luís Carlos Pereira, Rosa Maria Pinheiro Gomes, padre Vitório Lucchesi e a prima Nita (Maria Inez Azevedo), excelente professora de português, segundo sua própria avaliação.

Depois de passar pelo Colégio de São Luís, o jovem estudante concluiu o antigo colegial no Colégio Universitário, em 1971, ingressando na Faculdade de Direito (UFMA), no ano seguinte. Quatro anos e meio depois, em julho de 1976, graduava-se como bacharel em Direito, iniciando em seguida o exercício da profissão em sua cidade natal.

De volta a Viana, enquanto trabalhava como advogado, exerceu o magistério no velho Antônio Lopes e na Escola Nossa Senhora da Conceição por dois anos consecutivos. No primeiro, ministrou as disciplinas de Português, Inglês, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, Direito e Legislação. Na ex-Escola Normal, lecionou Inglês, Português e Literatura. A experiência como professor, em Viana, lhe trazia a agradável sensação de estar “pagando aquilo que recebeu”. Em outras palavras, retribuindo um pouco de tudo o que a cidade havia lhe propiciado no passado.

Nesse período, em 1977, Lourival casou-se com Ana Maria Gomes numa cerimônia simples, realizada primeiramente no civil e, no ano seguinte, no católico, servindo de palco para este último, a Igreja de São Benedito. Dessa união nasceriam Ferdinando Marco Gomes Serejo Sousa e Jacqueline Gomes Serejo Sousa.

Em 1979, o jovem advogado retornou a São Luís, disposto a concretizar o sonho surgido ainda na infância, quando teve a oportunidade de presenciar o Dr. José Pereira Gomes atuando como Promotor de Justiça, quando da realização de um júri  na cidade.  Desde então se deixou seduzir por aquela profissão, que lhe parecia a mais atraente. Assim, depois de preparar-se com afinco, submeteu-se ao concurso para ingresso no Magistério Público, logrando a 3ª colocação. A primeira comarca designada ao novo promotor foi a de São Bernardo, onde trabalhou por quase dois anos, de março de 1979 a dezembro de 1980.

Em 1981 decidiu mudar o rumo de sua carreira, prestando novo concurso e desta feita para a Magistratura, sendo igualmente aprovado em 3º lugar. Como Juiz de Direito atuou por quase cinco anos na Comarca de Arari. Depois, subsequentemente, viriam: Brejo e Imperatriz até ser promovido para a Comarca se São Luís, em 1992.

No exercício da profissão abraçada, Lourival Serejo exerceu cargos e funções que vão desde o de professor de Direito da UFMA e diretor da Escola Superior de Magistratura, passando pelo de Juiz Auditor da Justiça Militar do Maranhão, até o de membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão. Seu extenso currículo inclui dois cursos de pós-graduação, apresentações de conferências, trabalhos e pesquisas voltados para a área do Direito, além da publicação dos livros: Contribuições ao Estudo do Direito, Direito Constitucional da Família e Programa de Direito Eleitoral. Entre suas obras literárias estão: O presépio queimado, Rua do Porto, o conhecidíssimo Do alto da Matriz, O baile de São Gonçalo, Da aldeia de Maracu à vila de Viana, e o livro de crônicas Entre Viana e Viena.

Títulos de cidadão honorário (Brejo e Vargem Grande), medalhas de Honra ao Mérito (Bento Moreira Lima, Ministro Arthur Quadros Colares Moreira) e patronatos de turmas de formandos também se encontram inseridos nessa trajetória, pontilhada de vitórias, do menino vianense que, um dia, almejou ser um simples promotor de Justiça de uma cidade qualquer do interior maranhense.

Lourival Serejo de Sousa atualmente é Desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão e professor da Escola de Magistratura do Estado do Maranhão. Homem apaixonado pelas letras, é membro das seguintes entidades: Academia Maranhense de Letras Jurídicas (Cadeira nº 10 – patrono Dionísio Rodrigues Nunes); Academia Imperatrizense de Letras (Cadeira nº 4 – patrono Cândido Mendes); Academia Maranhense de Letras (Cadeira nº 35 - patrono César Marques) e Academia Vianense de Letras Cadeira nº 10 – patrono Estêvão Rafael de Carvalho).

Por Luiz Alexandre Raposo