Academia Vianense de Letras

Quarta filha do casal Álvaro Lopes Cordeiro e Vitória Nunes Cordeiro, Josefina nasceu no dia 7/12/1935, em Matinha, nesse tempo ainda um povoado pertencente ao município de Viana. Com apenas dois anos de idade, sua família mudou-se para Viana, onde a menina cresceria num ambiente de fervorosa religiosidade, como era comum aos vianenses até a segunda metade do século passado.

Em 1948, concluiu o curso primário no Grupo Escolar Estevam Carvalho, tendo sido aluna de professoras conceituadas como Edith Nair Silva, Faraíldes Campelo, Iraci Cordeiro, Raquima Azevedo e Zilda Dias. Impossibilitada de continuar os estudos em São Luís pelas dificuldades próprias da época, ela se dedicou ao ofício de fotógrafa, mantendo para isso um pequeno estúdio em casa de seus pais, à Rua Coronel Campelo, n°767. Dois anos depois, ainda muito jovem, foi nomeada professora leiga da rede municipal pelo então prefeito Luís Couto.

Norteada por uma educação voltada para a prática da fé, através dos ritos mais tradicionais do catolicismo, Josefina não só participava ativamente da paróquia de São Benedito como ainda ajudava nas festividades e celebrações das Igrejas Matriz e São Sebastião. Paralelamente às atividades religiosas, também dava ênfase ao seu talento de atriz, atuando vez por outra nas peças encenadas por D. Anica Ramos, famosa incentivadora do teatro vianense

Em 1961, com a fundação do Ginásio Professor Antônio Lopes, um novo horizonte surgiria à sua frente. Decidida, Josefina não teve dúvidas em submeter-se ao exame de admissão e juntar-se a uma geração bem mais jovem que ela para integrar a 1ª turma do curso ginasial em Viana. Quatro anos depois, concluído o ginásio, partiu para São Luís, onde faria o curso Normal no tradicional Colégio Santa Tereza.

Foi com o diploma de professora normalista que Josefina Cordeiro conseguiria o maior reconhecimento de seus conterrâneos, ao retornar para Viana no final de 1967. Ao contrário da maioria dos jovens que prosseguiam os estudos em busca de realizações profissionais mais vantajosas, ela preferiu colocar-se imediatamente a serviço de sua coletividade.

Dedicando-se ao ensino da língua portuguesa, Josefina ministrou aulas para seguidas gerações de vianenses, alcançando assim o mesmo patamar de célebres professoras que a antecederam na história educacional de sua cidade. Além de lecionar, ela dirigiu o antigo Antônio Lopes entre 1977 a 1993, deixando naquela escola a marca de sua competência e seriedade profissionais. Também ensinou na Escola Normal N. S. da Conceição e no extinto Ginásio Bandeirante, tornando-se diretora também deste último por quatro anos (1972/1976).

De forte personalidade, a professora sabia impor respeito no ambiente de trabalho. E consciente do valor do ensino e da aprendizagem como elementos fundamentais na formação do cidadão, não hesitava em cobrar dos alunos o aproveitamento máximo nos estudos. Por esse motivo, costumava repetir em sala de aula um de seus lemas preferidos: “o que se faz hoje só terá reflexos no amanhã”.

Também não se descuidava do aprimoramento de seu magistério, participando de cursos de atualização, seminários sobre reformas de ensino e aprofundamentos no conhecimento da língua portuguesa. Em 1973, graduou-se em Letras pela Federação das Escolas Superiores do Maranhão, na cidade de Caxias.

Casada com Juarez Mendonça Cutrim (Vavá), mas sem deixar descendentes, Josefina Cordeiro Cutrim faleceu no dia 18 de janeiro de 2007, vítima de doença degenerativa.

Por ter marcado de forma indelével a história contemporânea da educação local, a AVL inseriu seu nome entre a galeria dos notáveis filhos desta terra, elegendo-a assim como patrona da Cadeira nº 27, apenas um ano e meio após o seu desaparecimento.

Por Maia da Graça M.Cutrim