Academia Vianense de Letras

Benedita das Mercês Balby de Sousa, carinhosamente conhecida como professora Bibi Balby, marcou com sua presença indelével a história educacional, cultural e social de Viana durante décadas.

Nascida no sítio Canindé, à margem do lago de Maracaçumé, município de Viana, em 24 de setembro de 1891, era filha do casal Angélica Pereira Balby e João Batista Balby que foi prefeito da cidade no período de 1916 a 1918.

Depois de concluir o antigo curso primário, a jovem foi encaminhada para São Luís, a fim de tornar-se professora normalista, tendo estudado e se formado no tradicional Liceu Maranhense.

A professora Bibi Balby exerceu o magistério primário, em Viana, desde os tempos das Escolas Urbanas, mantidas pelo Governo do Maranhão, no final da década de 1920 e início de 1930. Durante muitos anos, na “Escola Agrupada ao Bairro São Sebastião” que funcionou em diversos prédios (inclusive no velho “porão”, uma casa de estilo colonial que existia na Rua Celso Magalhães), a então jovem e eficiente professora, que sabia usar da necessária energia quando a situação assim o exigia, lecionou nas turmas de 1ª, 2ª e 3ª séries.

Em sala de aula, a professora adotava métodos particularíssimos. Durante suas argüições, por exemplo, os alunos que erravam as lições ou levavam reguadas ou tinham de se ajoelhar para rezar o Pai Nosso, na frente dos colegas. A julgar pelo testemunho de muitos de seus ex-alunos, o método surtia efeito.

Bibi Balby ensinou também no curso ginasial do “Instituto Dom Francisco de Paula, fundado em Viana, pelo Promotor Público Dr.Palmério Campos, no final da década de 1920.

Já na maturidade, Benedita das Mercês Balby casou-se com o ex-seminarista José Antônio Couto de Sousa (Zezé Couto), de tradicional família maranhense. Sem filhos, o casal promovia e participava ativamente dos eventos culturais e principalmente religiosos, muito comuns na cidade nas décadas de 1930 a 1950.

Todos aqueles que conheceram a professa Bibi Balby, mesmo sem ter sido seus alunos, jamais se esqueceram de sua figura ímpar, frágil e extremamente religiosa. De estatura baixa e franzina, era defensora ferrenha do culto ao saber, alimentado sempre com boas leituras. Na chamada 3ª idade gostava de recitar, com voz trêmula, as suas belas poesias ou proferir inspirados discursos, nas mais diversas solenidades cívicas ou religiosas.

O jornal, A Época, do Dr. Ozimo de Carvalho, editado entre 1929 a 1931, registrou sua participação literária em várias oportunidades, como na homenagem ao culto Interventor do Maranhão, Astolfo Serra, quando da visita deste à sua terra natal.

Sabe-se que a professora Bibi Balby deixou vários de seus discursos e poemas escritos. Infelizmente, como informaram seus sobrinhos, os papéis, guardados em baú de madeira, foram impiedosamente destruídos pelos cupins.

Felizmente o jornal Maranhão, periódico da Arquidiocese de São Luís, em edição especial dedicada à realização do Congresso Eucarístico e Sacerdotal, realizado na cidade de Caxias, em julho de 1937, publicou um longo poema, cuja autora usou o pseudônimo “Rosa do Maranhão”. Dom Felipe Conduru Pacheco, no livro História Eclesiástica do Maranhão informa textualmente ser a referida poesia da autoria da professora vianense Benedita Balby de Sousa. Abaixo transcreve-se duas estrofes do belo poema:

Ave! Ó Hóstia Divina! / Erguida à Palmeira vegetal / Para na brancura imaculada / Do corpo de Jesus / Extravasado em luz / Na Hóstia consagrada / Dar vida ao Novo Mundo / E à Terra de Santa Cruz, no valor profundo/ De seu amor ao pecador ... 

Ó página de Amor / Do Redentor / Que tem por pedestal / A palmeira alvissareira / Que nos dá o pão material / Para a manutenção / Da vida espiritual/ Que o Brasil enriquece / Enobrece / Conserva, eleva / Quando com suas fibras tece / O livro da prece / A razão / Na perfeita santificação / Pela oração...”

Já viúva, Bibi Balby faleceu em São Luís no dia 19 de julho de 1977, aos 85 anos de idade.

A Academia Vianense de Letras, ao aprovar o nome da professora Benedita Balby de Sousa como patrona da Cadeira n° 32, prestou merecida homenagem a uma personalidade que, por sua inteligência e saber sempre voltados à educação e cultura vianenses, soube se identificar perfeitamente com a cidade que lhe serviu de berço.

Por João Mendonça Cordeiro