Academia Vianense de Letras

 “Insurreição de Escravos em Viana - 1867", de autoria de Mundinha Araujo, relata um dos mais importantes e cruciais momentos da história socioeconômica e política de nossa cidade, motivado pela deflagração de um movimento insurrecional de escravos, o qual atrairia, na época, as atenções de todo o Estado (principalmente das autoridades constituídas da capital) para o desenrolar dos acontecimentos em Viana.
Em 1867, sob o regime monárquico e governo do Imperador D. Pedro II, o Brasil estava em plena guerra contra o Paraguai. A Província do Maranhão era dirigida pelo presidente Lafayete Rodrigues Pereira e os principais municípios deviam remeter, periodicamente, grupos de voluntários para o campo de batalha. Com a saída constante de levas do contingente masculino, as populações das vilas e cidades ficavam desfalcadas de homens adultos, reduzindo-se assim, a grande maioria dessas populações, a mulheres, velhos e crianças. Os escravos, subjugados ao trabalho árduo das lavouras, perceberam que essas circunstâncias eram propícias para uma revolta armada contra os antigos senhores.
Completamente esquecida pela história oficial, não fosse este oportuno trabalho de pesquisa de Mundinha Araújo, a “rebelião dos pretos de Viana” tem alcançado, desde que o livro foi lançado em 1994, citações nas mais diversas obras que tentam melhor esclarecer a postura do negro frente a tão cruel forma de dominação. Alguns estudiosos do assunto chegam mesmo a considerar o episódio vianense como um dos levantes de escravos mais importantes já registrados no Brasil.
A leitura do livro torna-se, portanto, obrigatória para quem se interessa pela história de nossa cidade. Segundo a autora, o declínio econômico de Viana começaria já naquele ano de 1867, como consequência direta da propalada revolta, a qual acarretaria sérios prejuízos para as lavouras de algodão, arroz, milho, açúcar e farinha de mandioca, principais produtos então exportados pelo município.