Academia Vianense de Letras

Filho de libaneses, ele nasceu em Viana no dia 10 de novembro de 1935. Seus pais, Miguel Abraão Mohana e Anice Mohana eram primos, chegados ao Brasil logo após a I Guerra Mundial. Depois de rápidas passagens pelas cidades de Grajaú e Coroatá, fixaram-se por algum tempo em Bacabal, onde nasceram os primeiros filhos, João e Laura. Logo se mudariam para a próspera Viana do início do século XX, ali se fixando por muitos anos e onde nasceriam os outros cinco filhos: Ibrahim, Olga, Kalil, Julieta e Alberto.

O começo da vida escolar do menino Kalil foi meio tumultuado, em virtude das mudanças da família. Iniciou os estudos no Grupo Escolar Estevam Carvalho, ainda em sua cidade natal. Em 1944, aos nove anos de idade, mudou-se com a família para São Paulo, cursando duas séries primárias no tradicional Ginásio Conselheiro Lafaiete, na capital paulista. Dois anos depois, a família Mohana resolveu retornar ao Maranhão, fixando residência definitiva em São Luís.

Kalil fez o restante do curso primário e todo o ginasial no Colégio Marista. No primeiro ano do antigo científico, estudou no Ateneu Teixeira Mendes, transferindo-se, no ano seguinte, para o Colégio São Luís, dirigido pelo conceituado Professor Luís Rego e considerado, na época, um dos melhores da capital. Ali, concluiu o segundo grau e foi aluno de mestres famosos, como Ronald Carvalho, Clodomir Caldas, Areias Guimarães e do próprio Luís Rego.

Em 1960, Kalil bacharelou-se em Geografia e História (cursando mais um ano de licenciatura), pela antiqüíssima Faculdade de Filosofia, posteriormente encampada pela UFMA. Na Universidade, teria como professores os não menos renomados Domingos Vieira Filho, Mário Meireles, Maria de Jesus Carvalho e Padre Alípio de Freitas, entre outros.

O Educador - Vocacionado para o magistério, o novo profissional dirigiria toda sua vida e suas energias para as salas de aula. Começou a ensinar no Colégio Marista, lecionando Geografia e História, matérias de sua formação curricular. Sem descuidar-se, todavia, da necessidade crescente de maior aperfeiçoamento, o jovem professor concluiria também o curso de Pedagogia em 1962, aproveitando, para tanto, alguns créditos da primeira graduação. No ano seguinte, como convidado da Inspetoria Seccional do MEC, fez um curso de especialização em didática e psicologia, que o habilitava para a formação de novos professores. O treinamento, realizado em Brasília, também o capacitava para a coordenação da CADES (Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário), órgão responsável pela preparação do corpo docente para o 1º e 2º graus de todo o Estado.

Kalil Mohana aplicaria, no ensino maranhense, o inusitado método psicogenético, o qual consistia em estimular o raciocínio dos alunos na busca de soluções para questões-problemas, levantados em classe. Dinâmico e inovador, também descobriria outra maneira de despertar o interesse dos jovens estudantes pela geografia e pela história contemporânea do país. Iniciou o ciclo das viagens de estudos pelo Maranhão e pelo Brasil. Foram 36 viagens somente com alunos do Colégio Marista.

Em 1970, aprovado em 1º lugar para o Departamento de Estudos Complementares - do qual se tornaria chefe durante 25 anos – da Escola de Engenharia do Maranhão, passaria a ministrar aulas de Estudos Brasileiros e Ciência Política naquela importante instituição de ensino superior. Em pouco tempo, lecionaria também na Escola de Agronomia que, mais tarde, faria parte da FESM (Federação das Escolas Superiores do Maranhão), hoje, UEMA.

Viajando e educando - Com a bagagem adquirida e fazendo uso de sua brilhante oratória, Kalil trilharia uma trajetória marcante no ensino universitário. Além do conteúdo consistente de suas disciplinas, transmitido em sala de aula, realizou um total de 94 viagens com formandos de Engenharia, Agronomia, Veterinária e Administração. Foram 30 viagens à Hidrelétrica de Tucuruí, 12 à Usina Nuclear de Angra dos Reis, 30 ao Rio Amazonas e várias outras às capitais do sul e sudeste, as quais se tornariam, no transcorrer de quase duas décadas, uma tradição para os bacharelandos da UEMA. Ao todo, incluindo os estudantes do Marista, entre 1960 e 1997, o mestre peregrino proporcionaria, a cerca de 3.200 jovens, o prazer de descobrir as belezas, riquezas e potencialidades deste imenso Brasil. Essa original experiência daria subsídios ao livro, de sua autoria, intitulado Viajando e Educando – As Grandes Viagens, lançado em 1998.

Viajante inveterado, o ex- titular da Cadeira nº 8, (que tinha o próprio irmão, João Mohana, como patrono), visitou os cincos continentes do planeta, conhecendo seus principais países. Esteve em cidades longínquas como Bagdá no Iraque, Teerã no Irã, Bali na Indonésia, Bombaim e Calcutá na Índia ou o Cairo, no Egito. Com três pontes de safena e mesmo depois de aposentado, o veterano professor continuou excursionando pelo país, a fim de se distrair e de se manter atualizado sobre a sempre contrastante realidade brasileira.

O professor Kalil Mohana faleceu na véspera do Natal de 2010, deixando para a posterioridade uma de suas máximas: “O educador se imortaliza em cada homem que educa, pois se eterniza em cada coração que ajuda a formar”.

Por Luiz Alexandre Raposo