Academia Vianense de Letras

Ele deixou Viana ainda menino, aos 11 anos de idade, para fazer o curso ginasial em São Luís, no Colégio Maristas. Aos 16 anos concluía o ginásio e, decidido a abraçar a carreira militar, rumou para Fortaleza, no final de 1947, a fim de concorrer a uma das 50 vagas oferecidas para o curso médio da Escola Preparatória de Cadetes. Entre 3.500 candidatos oriundos de todo o país, conseguiu classificar-se em 6º lugar. Depois da capital do Ceará, a próxima etapa seria a formação universitária na famosa Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Rio de Janeiro, graduando-se ali no ano de 1953. Daí em diante, a carreira militar do vianense Oswaldo Pereira Gomes seria pontilhada de significativas e crescentes vitórias.

Segundo rebento da numerosa prole do casal Esiquiel de Oliveira Gomes (ex-prefeito de Viana por dois mandatos) e Maria José Pereira Gomes, mas criado pela madrinha, Maroca Cunha, esposa de seu tio paterno, Benedito de Oliveira Gomes (os quais não tiveram filhos), o menino Oswaldo teve o privilégio de viver sua infância numa Viana das primeiras décadas do século passado, guardando desse período recordações inesquecíveis. O paraíso ecológico ainda praticamente intocável, no qual a cidade se inseria e se isolava, compunha o cenário perfeito para um início de vida saudável e feliz: as brincadeiras, os banhos e pescarias no lago, as festas religiosas no largo da Matriz, de São Sebastião e São Benedito, ou mesmo as aulas do curso primário no Grupo Escolar Estevam Carvalho com as professoras Raquima Gomes e Edith Nair Silva.

Apartado da família e dos entes queridos desde a mais tenra idade, além da força de vontade e  da audácia próprias da juventude, o adolescente aspirante à carreira militar encontrava na dignificante figura de homem público do pai e na inabalável fé cristã da madrinha, a inspiração e os exemplos de vida que o impulsionavam na árdua tarefa da conquista de seu ideal.

Assim, nas eleições de 3 de outubro de 1954, contando apenas 23 anos de idade, o jovem militar Oswaldo Pereira Gomes foi eleito deputado estadual à Assembleia Legislativa do Maranhão pelo extinto PSD (Partido Social Democrático). Mais tarde se formaria em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais “Vianna Júnior”, em Juiz de Fora, tomando-se depois, nessa mesma faculdade, professor titular da cadeira de Direito Constitucional Brasileiro e também de Teoria Geral do Processo.

Como coronel foi destacado para o cargo de Adido do Exército à Embaixada do Brasil, em Assunção (Paraguai), quando tomou-se amigo pessoal do Presidente Strossner, hoje exilado em Brasília, defendendo-o na época de seu processo de extradição. Promovido a General, exerceu as funções de Diretor do Patrimônio do Exército e comandou a 4ª Brigada de Infantaria Motorizada em Belo Horizonte (MG). Na Constituinte de 1988 deu assessoria jurídica e política ao Ministro do Exército, obtendo vitória nas teses defendidas sobre Destinação Constitucional das Forças Armadas, Serviço Militar, Ministério da Defesa, Policias Militares e Anistia.

Transferido para a reserva por motivo de idade, não demorou a ser convocado pelo Ministro do Exército como Assessor Especial Jurídico e Político, tendo em vista a Revisão Constitucional, prevista na mesma Constituição de 1988. O General Oswaldo Pereira Gomes fez parte também, como representante das Forças Armadas, da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticas do Ministério da Justiça.

Autor do livro História do 4º GAC ( o qual descreve a saga do Grupo de Artilharia de Campanha), tendo ainda em seu currículo o magistério da língua portuguesa, o General Oswaldo Pereira Gomes, falecido em 10/11/2009, era o titular da Cadeira de n° 14,  patroneada pelo escritor e poeta Travassos Furtado.

Por Luiz Alexandre Raposo