Academia Vianense de Letras

Capa do jornal O Vianense, datado de 6 de janeiro de 1878

 

Viana destacou-se desde cedo pela sua veia literária, pois um ano antes de ser elevada à categoria de cidade, em 1854, quando o Brasil ainda vivia sob o regime da monarquia, teria surgido o primeiro veículo de comunicação escrita na progressista vila. Segundo depoimentos de gerações anteriores, o jornal manuscrito se chamava O Liberal Vianense e era dirigido pelo Padre Francisco de Barros Cardoso Lima. Infelizmente, não se sabe maiores detalhes sobre esse provável pioneiro da imprensa vianense. 

Os primeiros jornais

No entanto, de acordo com o acervo colecionado pela Biblioteca Benedito Leite de São Luís, oficialmente Viana é a 3ª cidade maranhense a registrar a aparição do jornalismo impresso (depois da própria capital e Caxias) com o jornal Alavanca, que começou a circular por aqui no dia 1° de outubro de 1876.

Impulsionados pela economia à base da exportação do algodão, arroz, açúcar e outros produtos agrícolas, a partir desta segunda metade do século XIX, seguidos periódicos semanais pontificariam na história da imprensa local. Dois anos depois do Alavanca, em 1878, apareceu O Guanumby, dirigido pelo enigmático Estevão Carvalho (filho do famoso Estêvão Rafael de Carvalho) e pai da professora Cóia Carvalho. Publicado aos domingos e dedicado às famílias vianenses, o pequeno jornal ostentava como título uma palavra do tupi-guarani, cujo significado a população desconhecia.

Voltados para uma população com altíssimo índice de analfabetismo (onde mais de 70% da mão-de-obra era formada por escravos), os jornais se alternavam na tentativa persistente e inglória de firmar-se no cenário cultural da cidade. Em 1880 foi a vez de A Reforma, jornal que se declarava “literário, noticioso e comercial”. De propriedade do jornalista Tancredo Ulisse de Matos, tinha sua tipografia e redação na Rua Grande e era publicado às quintas-feiras. Nesse mesmo ano também circulou O Domingo que, para diferenciar-se do primeiro, apresentava-se como “literário e crítico”.

Por esse tempo já havia aparecido O Vianense, um dos mais destacados jornais da cidade não somente por ter circulado por um período mais longo que os anteriores, mas por ter assumido desde sua criação uma linha editorial elegante e objetiva. Publicado às quartas e sábados, entre o final da década de 1870 e o início da década seguinte, O Vianense é constantemente citado nas pesquisas sobre a imprensa antiga do Maranhão.

Em 1881 foi criado A Ordem, órgão associativo voltado para o comércio e a lavoura que circulava as terças-feiras e possuía a sede de sua redação na Rua da Ponta. O Actualidade, de 1884, foi outro jornal destinado aos mesmos interesses, mas editado em dias indeterminados e de distribuição gratuita.

Por Luiz Alexandre Raposo (matéria publicada no Renascer Vianense, edição n° 25)