Academia Vianense de Letras

 

“Um povo sem memória é um povo sem história”, baseada neste princípio e por ter conhecimento que muitos jovens da terra de Celso Magalhães desconhecem a origem do atual Centro de Ensino Médio Nossa Senhora da Conceição é que, como testemunha ocular dos fatos, escrevo a presente matéria.

Dom Hamleto de Angelis, 1º bispo de Viana, ao chegar à cidade e tomar conhecimento da real situação de sua Diocese, no campo educacional, sentiu a necessidade premente de dar formação integral à juventude vianense.

Assim, em 25 de agosto de 1965, requereu ao presidente do Conselho Estadual de Educação a autorização para o funcionamento de uma escola normal colegial, com a finalidade de formar professores-apóstolos, uma vez que no município só havia um ginásio mantido pela Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG) e quatro grupos escolares, sendo dois do Estado, um mantido pela prefeitura municipal e outro pela antiga paróquia, agora transformada em Diocese.

A autorização para funcionamento da escola foi concedia em 4 de maio de 1966, todavia semanas antes, no dia 17 de abril, já havia acontecido a aula inaugural proferida pelo seu fundador, Dom Hamleto, no salão da Escola Paroquial “Dom José Delgado”, com a presença de autoridades, pais dos futuros alunos e do corpo docente. Ali funcionou a escola normal durante todo o ano letivo de 1966.

Já no ano seguinte, no dia 2 de março de 1967, aconteceu a inauguração do prédio, onde até hoje funciona o referido estabelecimento de ensino. Construído pela Diocese no mesmo local antes ocupado pela Igreja de São Sebastião, o prédio inaugurou-se com o início das aulas para as turmas do 1º e 2º anos do curso. O corpo docente era assim constituído: Diretora – Rosa Maria Pinheiro Gomes; Secretária – Maria Inês Serejo Azevedo; Orientadora Pedagógica – Irmã Maria Trotier; Professoras: Zeíla Cunha Lauleta, Edith Nair Furtado Silva, Maria de Jesus Piedade Rodrigues, Irmã Eillen Pratt, Irmã Lucille Labarre, Irmã Mônica Dallaire, Irmã Julietta Filiatrault.

A primeira turma era composta por nove alunas: Maria Lucinda Moreno, Norma Zenni, Graça Lourdes Rocha, Margareth das Graças Bezerra Aragão, Maria do Espírito Santo Mendonça, Maria de Ribamar Sousa, Maria do Socorro Soeiro, Sofia da Graça Ribeiro dos Santos e Maria da Conceição Oliveira da Silva.

A escola era muito bem equipada, possuindo salas de didática, gabinete de ciências, biblioteca etc.

Criou-se um Conselho Estudantil composto pelos seguintes alunos: Moisés Garcia Almeida – presidente; Maria Lucinda Moreno – secretária; e Sebastião Oliveira Sousa – tesoureiro. Circulava também um jornal confeccionado no mimeógrafo, pelos próprios alunos, denominado “Estrela Radiante”, em cuja capa havia uma estrela maior que simbolizava a padroeira da Diocese, Nossa Senhora da Conceição, abençoando a escola. Havia ainda o desenho de uma lamparina que significava a luz do saber, ardor no dom, e numerosas estrelinhas significando o alunado, portadores da mensagem cristã, ideal guiado pela estrela maior de Maria, mãe de Deus, a irradiar cultura, formação e vivência cristã. O redator-chefe do jornal era o professor de português Luís Carlos Pereira.

Vale destacar a mensagem escrita pelo vigário capitular, padre Mário Cuomo, no primeiro número do jornal “Estrela Radiante”:

São poucas palavras para apresentar meus parabéns à Estrela Radiante que vai, pela primeira vez, como meio de irradiação da nossa Escola Normal. Justamente chamou-se de estrela radiante, para que os alunos desta escola, futuros professores, desde já comecem a educar, irradiar suas idéias.

Pois é, as ações refletem as idéias. Semear uma idéia boa, quer dizer colher ações dignas do homem.

A finalidade de nossa escola é dar ao Maranhão professores convictos dessa idéias, de que o homem, qualquer homem, não é produto mais evoluído da natureza que encontra sua perfeição no desenvolvimento de sua vida biológica e cultural e sim uma criatura que saiu das mãos de Deus e que, considerando o desenvolvimento como meio e não como fim, acha sua perfeição no serviço e no amor dos outros, vendo neles irmãos no Cristo. Isso era o que visava Dom Hamleto de Angelis, desde 1964.

Este nosso bispo, no seu leito de morte, pediu um retrato da escola normal, olhou e abençoou esta obra, que nós cremos que ele continua olhando e abençoando do céu.

É emocionante o amor e a dedicação que o bispo sentia pela escola e por sua Diocese.

Atualmente a escola foi encampada pelo Estado, através da Secretaria de Educação, depois de passar anteriormente pela tutela do Município de Viana.

A Escola Normal Colegial Nossa Senhora da Conceição é considerada um celeiro de formação pedagógica da maioria dos professores que trabalham em Viana, a exemplo da acadêmica Maria Vitória Santos e dos professores Venceslau Augusto Travassos, Lucimar Nunes Gonçalves, Maria da Graça Magalhães Mendonça, Rosa Maria Travassos, José Ribamar Serejo Sousa e tantos outros espalhados pelo Brasil.

Por Rosa Maria Pinheiro Gomes (matéria publicada no Renascer Vianense, edição n° 21)