Academia Vianense de Letras

Nascido em 14 de setembro de 1917, Francisco Alves da Silva era filho de de Alfredo Alves da Silva e Adêmia Amaral da Silva (D. Moça). Por gostar de cantarolar uma marchinha de carnaval, famosa na época, que tinha o título de “Juju”, ganhou esse apelido ainda na infância. Criado numa sociedade bem diferente dos tempos atuais, na qual a educação se baseava na disciplina, no trabalho e na rígida obediência aos mais velhos, o garoto acostumou-se, desde cedo, ao universo de uma fazenda de criação de gado típica da Baixada Maranhense.

O aprendizado escolar também constava na pauta das ocupações das crianças, mesmo numa localidade distante como o Aquiri e com todas as dificuldades de transporte da época. Sua alfabetização e as primeiras séries do antigo primário passaram pelas mãos das dedicadas professoras Faraíldes Leitão e Maroca Castelo.

Assim, enquanto familiarizava-se com as primeiras letras já assumia tarefas e responsabilidades, como era comum naqueles idos. Trabalhando com o pai, ao lado do único irmão, Djalma, aprendeu a encarar com naturalidade a vida dura e os desafios constantes da rotina diária de um vaqueiro da região. Montado a cavalo, enfrentando sol e chuva, secas e enchentes, ano após ano, foi acumulando experiências e assimilando conhecimentos pertinentes àquele mundo. Certamente todo esse aprendizado lhe seria de grande utilidade algum dia, quando precisasse administrar sua própria fazenda. 

Os matrimônios e os filhos – Entretanto, a juventude de Juju Silva não seria gasta apenas com o trabalho. Como é natural na vida de todo jovem, também havia tempo para as diversões e farras próprias da idade. Amante inveterado do carnaval (num tempo em que as famílias tradicionais vianenses prestigiavam os bailes carnavalescos regados a confetes, serpentinas e lança-perfumes), Juju não hesitava em abandonar o campo e mudar-se para a cidade, por efêmeros quatro dias, a fim de curtir intensamente o período de folia.

Foi justamente nesses bailes que se consolidaram a paixão e o namoro por uma moça oriunda de uma das famílias de criadores mais antigas e mais importantes do município de Viana. Desse modo, aos 23 anos, em fevereiro de 1941, o vaqueiro folião casou-se com Bárbara Mendonça (Babita), dois anos mais jovem que ele. O primeiro matrimônio, em plena juventude, lhe daria os cinco primeiros filhos: Aldeíde, Alfredo, Altevir, Aldenira e Celso. Infortunadamente, porém, a morte prematura da esposa acabaria com uma união de apenas sete anos. Aos 28 anos de idade, grávida de sete meses, Babita sofreu uma queda de cavalo que lhe provocaria uma hemorragia interna e o óbito logo no dia seguinte.

Viúvo de forma inesperada e com cinco filhos menores para criar, Juju precisou recorrer ao auxílio da cunhada, Maria, que veio residir na fazenda para tomar conta dos sobrinhos. Não demorou muito para que a irmã mais velha de Babita se tornasse sua 2ª esposa, oficializando uma união que se estenderia por longos 43 anos. Maria Mendonça não somente ajudou a criar os cinco sobrinhos enteados como ainda lhe deu mais três filhos: Mariano (Nhô-Nhô), Francisco, e uma nova Bárbara, igualmente apelidada de Babita. 

Maior fazendeiro da região – Por esse tempo, Juju já havia herdado a antiga fazenda de seus pais, adquirindo a parte que pertencia ao irmão, Djalma Silva. Com afinco, trabalho e muito suor, os negócios no ramo da pecuária progrediram com o passar do tempo, rendendo-lhe bons lucros e fazendo crescer seu rebanho de animais, que chegou algo em torno de duas mil cabeças de gado.

Esse período de vacas gordas também lhe rendeu muitas viagens à capital, para finalizar negócios ou acertar novos contratos com os matadouros ou diretamente com marchantes conhecidos. Naqueles tempos, quando a Baixada ainda não dispunha de rodovias, o transporte do gado para São Luís consistia numa operação trabalhosa e demorada. Depois de selecionadas e separadas, as reses eram tocadas até a Beira da Baixa, onde eram embarcadas em gambarras (grande embarcação de dois mastros, própria para condução de gado).

Seu Juju perdeu as contas de quantas viagens empreendeu nessas empreitadas e tampouco saberia dizer quantos dias gastos ou quantas noites passadas ao relento com seus vaqueiros, no porto da Beira da Baixa, à espera da maré ou da embarcação para despachar o gado.

Mas tudo valia a pena, pois além da satisfação com os resultados financeiros positivos dos negócios, o próspero fazendeiro e sua dedicada esposa tinham ainda a alegria de ver os filhos crescerem sadios e de poder encaminhá-los, na idade certa, para estudarem em Viana. 

Missão cumprida – Já com todos os filhos encaminhados, aos 75 anos de idade, Seu Juju Silva enviuvou pela segunda vez. Vítima de insuficiência respiratória e problemas cardíacos, D. Maria Mendonça faleceu em 23 de fevereiro de 1992.

Decidido a não passar sozinho o resto de sua vida, Seu Juju partiu para a terceira união, desta vez com Léa Barros, (também viúva de um ex-vaqueiro que trabalhou em sua fazenda) com quem viveu até o dia de sua morte, ocorrida em...

Pai de nove filhos, avô de 26 netos e 23 bisnetos, Seu Juju Silva faleceu em 20 de janeiro de 2013, deixando uma prole numerosa para honrar seu nome e transmitir às gerações vindouras sua história de vida e de amor ao trabalho.

Por Luiz Alexandre Raposo