Academia Vianense de Letras

Nascido no alvorecer do século passado, mais precisamente no dia 10 de abril de 1903, Eziquiel de Oliveira Gomes marcaria a história sociopolítica da cidade não apenas pelas duas gestões à frente da prefeitura de Viana, mas também como cidadão e pai de família.

Membro de uma família tradicionalmente voltada à política local, seu primeiro mandato ocorreu durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, quando a ditadura então reinante havia suspendido as eleições em todo o país. Eziquiel de Oliveira Gomes, filiado do partido Liberal (ou partido Rosa, como era conhecido em Viana), que apoiava o presidente Vargas, teve o seu nome escolhido pelo Interventor do Maranhão para dirigir o município por um período de cinco meses (7/08/1937 a 23/01/1938).

Em 1945, com o final da ditadura Vargas e o retorno da democracia ao Brasil, as eleições foram realizadas no final daquele mesmo ano, quando então Eziquiel de Oliveira Gomes, candidato pelo Partido Social Trabalhista (PST) retorna ao comando do poder municipal, desta vez eleito pela vontade popular, para administrar a cidade por cinco anos, isto é, de 01/01/1946 a 31/01/1951.

Não seria esta última e mais demorada gestão, entretanto, uma tarefa fácil. Colocar-se à frente de uma prefeitura sempre foi uma responsabilidade espinhosa, imagine-se numa época em que o país e o mundo todo atravessavam momentos difíceis: enquanto o Brasil tentava readaptar-se à democracia, após 15 anos consecutivos sob o regime ditatorial, o mundo civilizado vivia o período pós-guerra com a Europa devastada pelas bombas da II Guerra Mundial e consequentemente ainda sofrendo o colapso do comércio entre as nações, interrompido por quase cinco anos. Os prejuízos disso tudo se faziam sentir até mesmo em Viana, tão distante dos grandes centros comerciais.

Mesmo assim e contando com magros recursos financeiros, o novo prefeito soube enfrentar os desafios e dar a volta por cima. Entre suas principais obras destacam-se a construção do prédio do atual Hospital Dr. José Murad, em atendimento à antiga reivindicação da população; a Escola do Ciroula, considerada zona rural na época; a construção e inauguração da Usina de Energia Elétrica Dr. Castro Maia (onde hoje encontra-se a Cunaco Eventos) e a abertura da estrada vicinal até o povoado do Capim, a fim de facilitar o escoamento da produção agrícola para a sede do município.

O prédio da atual Unidade de Ensino Estevam Carvalho também foi iniciado e quase concluído em sua administração. No entanto, provavelmente por dificuldades financeiras, somente foi inaugurado na gestão de seu sucessor, Luís Couto.

No seio da sociedade vianense, Eziquiel gozava de grande estima e admiração. Tinha muitos amigos e era um homem de bom nível cultural, apesar de possuir apenas o antigo curso primário. Cultivava o bom hábito da leitura, mantendo-se assim atualizado com o mundo, através de jornais e revistas. Na família, soube educar os nove filhos sem apelar para os castigos físicos, tão comuns naquela época. Em vez de bater, preferia fazer uso do aconselhamento, quando exortava a honestidade, o bom caráter e mostrava seu exemplo pessoal de vida.

Ezequiel de Oliveira Gomes faleceu, em 27 de maio de 1978, aos 75 anos de idade. Era filho do casal Belarmino Nascimento Gomes e Maria Antonia Oliveira Gomes. Casado com Maria José Pereira Gomes deixou os seguintes filhos: Raimundo (Seu Dico), Oswaldo, Maria, Belarmino, Carlos, Zulmira, Darcy, Manoel e Sérgio. Destes seus descendentes já faleceram Seu Dico, Carlos e o general e ex-ocupante da Cadeira n° 14 da Academia Vianense de Letras, Oswaldo Pereira Gomes.

Por Luiz Alexandre Raposo

A viúva Maria José Pereira Gomes rodeada pelos nove filhos