Academia Vianense de Letras

 

A trajetória de Isabel Serejo assinala a determinação e o heroísmo de uma jovem frágil que saiu do então povoado vianense Barro Vermelho (atual cidade de Cajari), para realizar o sonho de estudar em São Luís. Naqueles idos do início do século passado, partindo de uma mulher, tal determinação era uma verdadeira ousadia, principalmente pelas dificuldades que existiam na época, como transporte e hospedagem.

O êxito dos seus esforços efetivou-se no dia 10 de dezembro de 1931, quando a jovem concluiu o curso de Farmácia na Escola de Farmácia e Odontologia do Maranhão, uma das poucas e conceituadas faculdades dessa área existentes no Brasil. No Maranhão, até o fim dos anos 40, só havia duas faculdades: Direito e Farmácia.

 Depois de formada, Isabel Serejo trabalhou na cidade de Parnaíba (PI), em uma farmácia pertencente a uns parentes do escritor Humberto de Campos, voltando, depois, ao Maranhão. Em 1933, realizou seu propósito idealizado desde a faculdade: abrir uma farmácia em Viana, apesar da advertência de um dos seus professores: Dona Isabel, aquela área é de Ozimo.

Mesmo assim ela não desistiu de seus planos. Com o apoio e auxílio paternos, acompanhada da irmã enfermeira, Maria Serejo, mudou-se para Viana, onde abriu uma farmácia, situada inicialmente na Praça da Prefeitura, a qual logo ganharia a simpatia e a aceitação da população local.

Tendo à frente duas jovens solteiras, bonitas e capacitadas no ramo, a “farmácia das moças” (como passou a ser conhecida) atraía não somente a clientela em busca de remédios para os seus males, mas inclusive sérios pretendentes a levarem ao altar as duas irmãs. Assim, não demorou a aparecer um forte candidato para a jovem farmacêutica. Era um caixeiro-viajante (como se dizia na época), da cidade de Pinheiro, que comercializava remédios pelas cidades do interior maranhense e se chamava Nozor, nome pouco comum e que soara de forma estranha aos ouvidos de Isabel. Como na cidade havia um Onozor, ela lhe mandou um recado: Se tiver o “o” na frente, não aceito o namoro.

Felizmente, não havia o “o” para atrapalhar o namoro entre a farmacêutica e o vendedor de remédios. Desse modo, Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo trocaram alianças em 5 de outubro de 1935, união que durou até que a morte os separasse. Desse casamento resultou o nascimento de nove filhos: Maria do Socorro Sousa Cutrim, Maria de Lourdes Sousa Araújo, Nozor Lauro Lopes de Sousa Filho, Maria Lúcia Serejo Sousa, Raimundo Umberto Serejo Sousa, Teresinha de Jesus Serejo Sousa, José Ribamar Serejo Sousa, Lourival de Jesus Serejo Sousa e Vera Cleide Sousa Vieira.

Depois do casamento, a farmacêutica passou a ensinar o marido na arte da manipulação. Em breve, Seu Nozor já dominava todas as lições, pois se revelou um aluno interessado e curioso.

Uma notória virtude de Isabel Serejo, que passou a ser conhecida na cidade como “dona Belinha, era sua religiosidade. Católica fervorosa, ela educou os filhos sob as invocações de suas rezas e a proteção de Nossa Senhora da Conceição, sua padroeira maior.  

Nascida em 6 de outubro de 1910, no povoado do Barro Vermelho,  Isabel Serejo Sousa faleceu em 20 de outubro de 1982, aos 72 anos de idade, na cidade de Viana. Era filha de Raimundo Nonato Serejo e Inês Rocha Serejo.

Com sua dedicação e competência, atendia gratuitamente às consultas de grande número de pessoas, principalmente quando não havia médico na cidade. Logo que chegou a Viana, passou a trabalhar ao lado de Ozimo de Carvalho na elaboração de laudos periciais e em exames de corpo de delito. Entre os dois farmacêuticos, estabeleceu-se uma respeitosa amizade que suplantava qualquer concorrência.

No balcão ou na manipulação, a farmacêutica Isabel Serejo Sousa sempre se dedicou com entusiasmo à sua profissão e empregou todo o período de sua vida laboral a serviço da comunidade vianense.

Por Ana Maria Gomes Serejo Souza (matéria publicada no Renascer Vianense, edição nº 40)