Academia Vianense de Letras

Júlio Araújo Aires nasceu em 21 de setembro de 1933, no povoado de Itans, então pertencente ao município de Viana. Filho de Filipe Gomes Aires e Francisca Araújo Aires, o menino Júlio aprendeu as primeiras letras com a irmã Zuleide ainda em Itans. No início da década de 40 foi levado para São Luís, a fim de continuar os estudos, concluindo o curso primário no Grupo Escolar Luiz Serra, em 1948.

Seis anos depois, em 1956, concluiu o curso de Técnico em Contabilidade, na Escola Ténica do Comércio do Centro Caixeiral. Na busca constante pelo saber, bacharelou-se em História e Geografia, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Luís (1961). Em 1962, concluiu a Licenciatura, nas mesmas especialidades.

Mudando-se para o Rio de Janeiro, ali ingressou na Faculdade Nacional de Direito, onde fez os quatro primeiros anos do curso. De volta a São Luís, graduou-se em 1967. No ano de 1970, Júlio Aires ingressou na magistratura maranhense, servindo na Comarca de São João Batista. Depois de longo exercício pelas comarcas de Vargem Grande, Pinheiro, Imperatriz e São Luís, tornou-se desembargador, em 2000, aposentando-se três anos depois.

Ao longo de sua vida, Júlio Aires sempre se dedicou ao magistério, tendo lecionado em diversos colégios, tanto no Rio de Janeiro como em São Luís. Foi professor do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão e professor da Escola Superior da Magistratura do Maranhão, aonde chegou a ser Diretor.

Além de escrever vários artigos para jornais, Júlio Aires publicou sua monografia do Curso de Especialização em Direito Público, pela Universidade Federal de Ceará, intitulada “Direitos do Homem”.

Cristão praticante, o ex-desembargador atualmente é Superintendente da Escola Pública Dominical da Igreja Evangélica da Assembléia de Deus e consultor jurídico da mesma Igreja, além de Presidente de honra do Tribunal Arbitral do Maranhão.

Casado com a senhora Maria José Batalha Aires e pai de três filhas, esse cidadão nascido na Baixada sempre se afirmou como uma pessoa séria, voltado para sua família, para o trabalho e a religião. Em todas essas atividades deixou a marca de sua seriedade e competência. No discurso de saudação em sua posse no Tribunal de Justiça, o desembargador Raimundo Cutrim assim se referiu ao novo colega: “homem afável, extremamente cordial, de trato humano inigualável e sempre prestimoso a ouvir não apenas por exigência da polidez, que é inerente a todo homem civilizado, mas antes por uma questão de boa política na vida de relação humana.”

Mesmo distante e sem muita participação em sua terra natal, Júlio Araújo Aires é um vianense que dignifica sua origem, motivo pelo qual foi reconhecido pela Academia Vianense de Letras como apto a ocupar a Cadeira nº 18, patroneada pelo também desembargador e mais tarde governador do Maranhão, Manuel Lopes da Cunha.

Por Lourival Serejo